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sexta-feira, 4 de março de 2016

Roer unhas hábito ou doença?

 

Hábito de roer as unhas pode ser sinal de transtorno de ansiedade e causar prejuízos à pele e aos dentes

Psicoterapia ajuda a pessoa a entender a origem da compulsão e enfrentá-la.

A lembrança de uma prova na escola, um dia tenso no trabalho ou um filme de suspense no cinema bastam para que as mãos sejam automaticamente levadas à boca. Adeus, unhas. Após a destruição das estruturas que protegem a ponta dos dedos, vem a difícil missão de esconder as feridas e as deformações que surgem. A situação é velha conhecida de quem sofre com onicofagia, nome dado ao comportamento crônico e descontrolado de roer e arrancar unhas e cutículas com os dentes. Um grupo cada vez maior de pesquisadores tem reservado mais atenção ao problema. Um levantamento indica que o hábito é um distúrbio emocional de causas variadas e ligado a problemas como ansiedade.

A onicofagia começa durante a infância ou início da adolescência e pelo menos metade dos indivíduos em idade escolar apresenta o distúrbio. Para muita gente, trata-se de uma compulsão mais difícil de superar que o tabagismo. Mesmo assim, ela costuma ser ignorada por pacientes e médicos, que ainda consideram o hábito inofensivo, com consequências meramente estéticas — o que não é correto. “É surpreendente que esse problema seja raramente relatado na literatura e não tenha sido muito estudado até agora. O prejuízo não é apenas estético. Foi claramente demonstrado que roer as unhas de maneira crônica pode causar anormalidades nos dentes, tais como recessão gengival”, argumenta o principal autor do estudo, Przemyslaw Pacan. Ele acrescenta que o hábito pode causar complicações graves, como infecções da pele ao redor das unhas, que sofrem um encurtamento irreversível.Em seu estudo, Pacan investigou a incidência do problema em 339 jovens estudantes de medicina. Os resultados mostraram que 46% dos entrevistados tinham ou já haviam tido onicofagia. As mulheres apresentaram maior frequência no transtorno e agiam de forma mais inconsciente. Já 51,5% dos homens admitiram perceber claramente o momento em que levavam a mão à boca. Quanto às comorbidades, boa parte dos adeptos foi diagnosticada com ansiedade (22,5%), e o TOC apareceu com menos frequência (3,1%).

“A onicofagia parece uma variante de compulsão e pode conduzir à destruição das unhas. Alguns indivíduos relatam prazer e relaxamento, e algumas observações sugerem comorbidades (males associados), como o transtorno obsessivo compulsivo (TOC) ou os transtornos de ansiedade”, diz. As causas ainda são desconhecidas. O que se descobriu até agora, no entanto, é que, para muita gente, o ato é automático, especialmente quando a pessoa está envolvida em uma atividade imersiva, como ver televisão ou ler um livro. Por outro lado, há indivíduos que roem as unhas de maneira intencional. Pacan aponta ainda outro motivo. “Também pode ser resultado de uma necessidade de ter unhas perfeitas. Algumas pessoas tentam morder as irregularidades, mas o comportamento traz mais prejuízos que ganhos. Curiosamente, mesmo que as unhas fiquem feias depois, elas continuam”, relata.

Qualidade de vida
Ranaia Tatsukawa, dermatologista do Hospital Santa Luzia, explica que roer as unhas de forma crônica provoca microtraumas nos dedos. As lesões possibilitam a entrada de bactérias, resultando na paniculite, uma inflamação da pele na região mordida. “Com o tempo, as unhas passam a crescer com defeito e ficam permanentemente distróficas. Observamos em consultório que há muita ansiedade por trás, inclusive em crianças. Quanto mais cedo esse hábito for tratado, mais chances há de superação”, alerta a especialista.

O patologista clínico Izidro Bendet, do Laboratório Exame, destaca outra questão: muita sujeira se concentra nas mãos. Passageiros de transporte público que roem unha, por exemplo, carregam toda a sorte de bactérias encontradas nos veículos coletivos, aumentando a possibilidade de infecções. “Geralmente, esses micro-organismos não causam doenças, mas podem ocasionar problemas respiratórios e gastrointestinais, como diarreia e gripes, pois a mão contaminada com vírus tem contato direto com boca”, alerta o médico.
Ainda que haja dor, ela não parece suficiente para inibir o comportamento. Às vezes, é até estimulante. “A dor prende nossa atenção.É difícil pensar ou fazer outra coisa quando ela se faz presente. Assim, se uma pessoa está ansiosa e começa a roer as unhas, ela rapidamente se distrai da fonte de ansiedade, gerando uma situação de alívio e prazer com a estimulação do tato e do paladar”, explica o psicólogo Felipe Burle dos Anjos. Ele ressalta que a ansiedade não é espontânea e está relacionada a alguma situação. “Frequentemente, a pessoa não sabe o que a deixa ansiosa. A psicoterapia é uma prática que ajuda a descobrir a origem desse estado e a lidar com ela.”

Pacan ressalta que todas essas consequências comprometem a qualidade de vida, pois “as pessoas ficam infelizes ao tentarem parar com o comportamento, sem conseguir”. O autor diz que a frustração provoca na pessoa vergonha e medo de ser considerada fraca. Felipe dos Anjos aconselha a pessoa que sofre com o problema a procurar saber mais sobre a ansiedade, as causas e as consequências. A psicoterapia é a melhor ferramenta, diz, e os remédios devem ser utilizados em último caso. “Outras coisas também podem ajudar a lidar com a ansiedade, como praticar esportes ou artes”, indica o especialista.

Classificação
A onicofagia é mencionada no item F98.8 da Classificação internacional de doenças e problemas relacionados à saúde — 10ª Revisão (CID-10). A publicação qualifica o hábito como um distúrbio emocional, ao lado de outras práticas, como masturbação excessiva, chupar o dedo e cutucar o nariz compulsivamente. No entanto, os critérios de diagnóstico não são bem descritos para esse grupo de doenças.

Maioria inofensiva
Usando técnicas de sequenciamento de genes, pesquisadores da Universidade do Colorado, nos EUA, encontraram mais de 4,7 mil espécies de bactérias distribuídas entre as mãos de 51 participantes de um estudo. Em média, uma única palma hospeda 150 cepas diferentes. As duas palmas compartilham apenas 17% de todas as estirpes, uma variação maior do que a encontrada de uma pessoa para a outra, que é de 13%. Por sorte, a grande maioria dos micro-organismos não é patogênica. Os resultados foram publicados pela revista PNAS.

Duas perguntas para:
Felipe Burle dos Anjos, doutorando em psicologia social, do trabalho e das organizações pela UnB. Especialista em análise comportamental clínica e parceiro do grupo Medicando

O hábito de roer unhas começa nos primeiros anos da infância e se instala com o passar do tempo. Como é o desenrolar do processo?

Roer unhas pode ser um comportamento normal, fruto do ato de a criança explorar e cuidar do corpo. Mas roer unhas como um hábito nervoso está relacionado a um nível de ansiedade intenso e constante, podendo se tornar algo patológico. Roer unhas é um sintoma de um problema ou transtorno de ansiedade. Cada um reage de uma maneira à ansiedade: uns podem atacar a geladeira, outros perdem o apetite. Nossa sociedade estimula ansiedade e estresse. Isso não é exclusividade dos adultos, a infância cada vez mais sofre com cobranças. Por serem menos maduras e terem menos recursos cognitivos e comportamentais, as crianças são mais vulneráveis à ansiedade.

Por que é tão difícil parar de roer as unhas?
As unhas são acessíveis. Elas estão sempre perto da gente. Além disso, o hábito cumpre a função de alívio, por exemplo. É tão difícil parar principalmente porque boa parte dos tratamentos são sintomáticos e miram no sintoma, não na causa do problema. Algumas “técnicas” incluem pimenta nas mãos, esmalte com gosto ruim, medicação e castigo. A melhor maneira de resolver o problema, no entanto, é desenvolver comportamentos para que a pessoa lide diretamente com o problema ou busque ajuda. Assim, trabalhamos o fortalecimento em vez de focarmos apenas nos pontos fracos e vulneráveis.
Fonte: Saúde Plena
Por Isabela Oliveira

quarta-feira, 2 de março de 2016

Manchas Brancas nas Unhas.

MANCHA BRANCA NA UNHA (LEUCONÍQUIA)

Manchas brancas nas unhas, chamadas medicamente de leuconíquia, são um achado bem comum, que, na maioria dos casos, não apresenta nenhuma relevância clínica. Em geral, as manchas nas unhas desaparecem espontaneamente, sem precisar de qualquer tipo de tratamento.
Neste artigo vamos abordar os seguintes pontos sobre a leuconíquia:
  • O que é leuconíquia.
  • Causas de mancha branca na unha
  • Tratamento das manchas brancas na unha.

O QUE É LEUCONÍQUIA

A presença de manchas brancas nas unhas é um achado totalmente inofensivo, que não provoca sintomas nem evolui para nenhum outro tipo de problema. A leuconíquia não é uma doença em si, apenas um sinal que indica uma alteração em parte da estrutura da unha.
Existem mais de um tipo de leuconíquia, que são classificadas de acordo com a aparência das manchas brancas. As ilustração ao lado mostra algumas das apresentações mais comuns.
A forma mais comum é a chamada leuconíquia punctata, que consiste em um ou mais pontos brancos na unha.
Outra apresentação relativamente comum é a leuconíquia estriada, que são curtas faixas brancas ao longo da unha.
Ainda existem outras formas de leuconíquia, como a leuconíquia total, leuconíquia parcial e leuconíquia transversal. Estas formas, porém, são bem menos frequentes.
Praticamente todas as pessoas já notaram uma pequena mancha branca na unha. Na imensa maioria dos casos, a mancha surge e desaparece sem que o paciente tome conhecimento. A leuconíquia só deve levantar alguma suspeita se ela começar a aparecer com elevada frequência e se o paciente apresentar outros sintomas, sugerindo que alguma doença possa estar por trás.
CAUSA DE MANCHAS BRANCAS NAS UNHAS.
Na imensa maioria dos casos, as manchas brancas na unha surgem por pequenos traumas, que podem incluir mordidas, prender o dedo na porta ou excesso de pressão na unha causada pela manicure. Em geral, a lesão ocorre na matriz da unha, local onde ela se forma. Em muitos casos, porém, as manchas brancas na unha surgem espontaneamente, sem que o paciente seja capaz de se lembrar de algum trauma recente.
LEUCONIQUIAS ESTRIADAS.
As leuconíquias estriadas e punctatas são as formas mais comuns e não costumam indicar nenhuma doença. Em algumas mulheres, as manchas brancas na unha podem surgir devido às variações hormonais ao longo do ciclo menstrual ou por reações ao esmalte.
A leuconíquia total é geralmente uma problema genético, uma herança autossômica dominante. Em alguns casos, a leuconíquia total pode ser adquirida ao longo da vida, estando relacionada a algumas doenças como vitiligo, síndrome nefrótica, hanseníase ou um efeito colateral dos antibióticos da classe das sulfonamidas, como o Bactrim, por exemplo.
A leuconíquia transversal pode surgir devido a algumas condições, como efeito colateral de quimioterapia, cirrose hepática, febre alta, tuberculose ou intoxicação por arsênio.
Apesar das manchas brancas poderem ser um sinal de doença, na prática elas raramente são. Se você tem leuconíquia, mas não tem nenhuma doença conhecida e não apresenta nenhuma outro sinal ou sintoma, não é preciso se preocupar, essas manchas são clinicamente irrelevantes.
Em alguns casos de micose na unha, chamada onicomicose, podem surgir manchas brancas. Entretanto,  essas manchas são mais grosseiras e costuma haver outras lesões da unha, não se parecendo com as formas mais comuns de leuconíquia.
TRATAMENTO DAS MANCHAS BRANCAS NAS UNHAS.
A leuconíquia não é uma doença e, portanto, não precisa de tratamento. Na maioria esmagadora dos casos as manchas nas unhas vão sumir espontaneamente com o tempo.
Se você é saudável, sua unha tem boa aparência e apresenta pequenas manchas brancas sem outras lesões, não é preciso procurar ajuda médica. Também não são necessários exames para investigar as doenças citadas acima. De modo geral, nos pacientes doentes, a leuconiquia é apenas mais um dos vários sinais que o mesmo costuma apresentar. Ninguém vai suspeitar de cirrose, tuberculose ou qualquer outra doença apenas pelas manchas nas unhas.